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Crônicas do Mente Madura - Quando damos o nome errado para aquilo que sentimos.
Você já percebeu como algumas palavras acabam ficando grandes demais?
Elas começam explicando uma coisa e, de repente,
parecem explicar tudo.
"Estou ansioso."
Talvez você já tenha dito isso hoje. Talvez eu
também.
A palavra virou uma espécie de guarda-chuva. Debaixo
dela colocamos o medo da conversa difícil, a tristeza que ainda não teve tempo
de ser vivida, a culpa por uma escolha antiga, a insegurança diante de uma
mudança, o cansaço acumulado de quem passou tempo demais sendo forte.
Tudo isso cabe dentro da mesma palavra.
Mas será que deveria?
Imagine alguém que chega ao médico dizendo apenas
que está com dor. Sem dizer onde dói, quando começou, se é uma pontada, uma
pressão ou uma queimação. A dor existe, é real, mas enquanto ela não ganha um
nome mais preciso, fica muito mais difícil encontrar o cuidado de que precisa.
Com as emoções acontece algo parecido.
Nem sempre sofremos porque sentimos.
Às vezes, sofremos porque ainda não conseguimos
compreender o que estamos sentindo.
Existe uma diferença enorme entre medo e tristeza.
Entre culpa e arrependimento.
Entre solidão e necessidade de silêncio.
Por fora, todas podem apertar o peito. Por dentro,
cada uma pede um caminho diferente.
Talvez seja por isso que algumas pessoas passam anos
tentando aliviar uma emoção que nunca foi realmente escutada.
Elas procuram respostas para a ansiedade quando, na
verdade, o coração estava tentando elaborar um luto.
Tentam controlar o medo quando o que existe é uma
exaustão que pede descanso.
Buscam eliminar o desconforto sem antes perguntar de
onde ele veio.
E eu acho que aqui mora uma das maiores mudanças que
a maturidade pode nos oferecer.
Em vez de perguntar imediatamente: "Como
faço isso passar?", talvez possamos experimentar outra pergunta:
"O que isso está tentando me
contar?"
Essa pergunta muda tudo.
Porque ela deixa de tratar a emoção como uma
inimiga.
Ela passa a tratá-la como uma mensageira.
Nem toda mensagem será agradável.
Algumas vão revelar perdas.
Outras vão mostrar limites que ignoramos durante
muito tempo.
Algumas falarão de relações que já terminaram por
dentro, mesmo que ainda existam por fora.
Outras apenas dirão que estamos cansados de carregar
pesos que nunca foram nossos.
Mas toda emoção reconhecida perde um pouco da
necessidade de gritar.
Ela finalmente foi ouvida.
Talvez a maturidade não seja viver em paz o tempo
todo.
Talvez seja aprender a escutar o que acontece dentro
de nós antes de correr para dar um nome qualquer ao que sentimos.
Porque quando a emoção encontra o nome certo...
Ela também encontra o caminho para ser cuidada.
Ronaldo
Arouca
Mente Madura
Linhares ES 26 de Julho de 2026.
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