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Crônicas do Mente Madura - O dia em que Helena decidiu que o marido deveria ir embora.

  Helena não acordou naquela manhã pensando em se separar. Essa é a parte que quase ninguém entenderia depois. Quando contou às amigas o que havia acontecido, todas perguntaram: — Mas você já não estava pensando nisso há algum tempo? Não. Pelo menos não daquela maneira. Helena estava cansada. Isso, sim. Cansada de fazer contas. Cansada de abrir o aplicativo do banco antes de abrir as mensagens. Cansada de olhar para as despesas e perceber que o mês ainda estava longe de terminar. Cansada de trabalhar mais e continuar sentindo que o dinheiro nunca chegava. Cansada das parcelas. Dos compromissos. Das cobranças. Da sensação de que qualquer imprevisto poderia desmontar tudo. E havia outra coisa que ninguém via. Quando a pressão aumentava, o corpo de Helena mudava. O peito apertava. O estômago embrulhava. Os músculos ficavam rígidos. Ela perdia o sono. Às vezes, acordava no meio da madrugada com a sensação de que alguma coisa terrível estava...

Crônicas do Mente Madura - Quando damos o nome errado para aquilo que sentimos.

 



Você já percebeu como algumas palavras acabam ficando grandes demais?

Elas começam explicando uma coisa e, de repente, parecem explicar tudo.

"Estou ansioso."

Talvez você já tenha dito isso hoje. Talvez eu também.

A palavra virou uma espécie de guarda-chuva. Debaixo dela colocamos o medo da conversa difícil, a tristeza que ainda não teve tempo de ser vivida, a culpa por uma escolha antiga, a insegurança diante de uma mudança, o cansaço acumulado de quem passou tempo demais sendo forte.

Tudo isso cabe dentro da mesma palavra.

Mas será que deveria?

Imagine alguém que chega ao médico dizendo apenas que está com dor. Sem dizer onde dói, quando começou, se é uma pontada, uma pressão ou uma queimação. A dor existe, é real, mas enquanto ela não ganha um nome mais preciso, fica muito mais difícil encontrar o cuidado de que precisa.

Com as emoções acontece algo parecido.

Nem sempre sofremos porque sentimos.

Às vezes, sofremos porque ainda não conseguimos compreender o que estamos sentindo.

Existe uma diferença enorme entre medo e tristeza.

Entre culpa e arrependimento.

Entre solidão e necessidade de silêncio.

Por fora, todas podem apertar o peito. Por dentro, cada uma pede um caminho diferente.

Talvez seja por isso que algumas pessoas passam anos tentando aliviar uma emoção que nunca foi realmente escutada.

Elas procuram respostas para a ansiedade quando, na verdade, o coração estava tentando elaborar um luto.

Tentam controlar o medo quando o que existe é uma exaustão que pede descanso.

Buscam eliminar o desconforto sem antes perguntar de onde ele veio.

E eu acho que aqui mora uma das maiores mudanças que a maturidade pode nos oferecer.

Em vez de perguntar imediatamente: "Como faço isso passar?", talvez possamos experimentar outra pergunta:

"O que isso está tentando me contar?"

Essa pergunta muda tudo.

Porque ela deixa de tratar a emoção como uma inimiga.

Ela passa a tratá-la como uma mensageira.

Nem toda mensagem será agradável.

Algumas vão revelar perdas.

Outras vão mostrar limites que ignoramos durante muito tempo.

Algumas falarão de relações que já terminaram por dentro, mesmo que ainda existam por fora.

Outras apenas dirão que estamos cansados de carregar pesos que nunca foram nossos.

Mas toda emoção reconhecida perde um pouco da necessidade de gritar.

Ela finalmente foi ouvida.

Talvez a maturidade não seja viver em paz o tempo todo.

Talvez seja aprender a escutar o que acontece dentro de nós antes de correr para dar um nome qualquer ao que sentimos.

Porque quando a emoção encontra o nome certo...

Ela também encontra o caminho para ser cuidada.

Ronaldo Arouca
Mente Madura

Linhares ES 26 de Julho de 2026.


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