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Explore seu desenvolvimento emocional, psicológico e intelectual. Um espaço acolhedor e inspirador para homens e mulheres de todas as idades buscarem autoconhecimento e bem-estar. Compartilhamos conhecimento e reflexões para nutrir sua mente e espírito em sua jornada de evolução pessoal. Aprenda, questione e floresça conosco.
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Crônica do Mente Madura - Será que eu realmente sei o que estou sentindo?
Outro dia, conversando com uma pessoa muito querida,
ela me disse uma frase que provavelmente você também já ouviu — ou até já
falou.
"Eu acho que estou com ansiedade."
Perguntei por quê.
Ela respondeu:
"Porque meu peito aperta. Minha cabeça não
para. Tenho dificuldade para dormir."
Concordei que aqueles sintomas realmente poderiam
aparecer em um quadro de ansiedade. Mas fiz outra pergunta:
"E se não for?"
Ela ficou em silêncio por alguns segundos.
Acho curioso como, hoje em dia, aprendemos
rapidamente o nome de algumas emoções, mas, ao mesmo tempo, desaprendemos a
observá-las com calma.
É como se tivéssemos recebido um pequeno dicionário
com poucas palavras. Sempre que algo nos incomoda, procuramos uma delas e
tentamos encaixar nossa experiência ali.
Ansiedade.
Estresse.
Depressão.
Síndrome do impostor.
Burnout.
São palavras importantes. Elas ajudam muitas pessoas
a compreender o que vivem e, quando há um diagnóstico profissional, podem
orientar um tratamento adequado.
Mas existe um risco silencioso: começarmos a usar
essas palavras antes mesmo de entender a história que está acontecendo dentro
de nós.
Nem todo aperto no peito nasce da ansiedade.
Às vezes ele nasce do medo.
Medo de perder alguém.
Medo de decepcionar.
Medo de fracassar.
Outras vezes nasce da culpa.
Daquela conversa que nunca aconteceu.
Da decisão que foi adiada por anos.
Da sensação de que poderíamos ter feito diferente.
Também existe a tristeza.
A tristeza verdadeira.
Aquela que não faz barulho.
Ela apenas diminui o brilho das coisas.
E, curiosamente, muitas vezes tentamos chamar essa
tristeza de ansiedade porque a palavra parece mais aceitável, mais moderna,
mais fácil de explicar.
Mas trocar o nome de uma emoção não muda a emoção.
Imagine um médico que confunde uma dor de estômago
com uma dor de cabeça.
Os dois pacientes sentem dor.
Mas cada um precisa de um cuidado diferente.
Com as emoções acontece algo parecido.
Quando damos o nome errado ao que sentimos,
começamos a procurar soluções que talvez nunca resolvam o problema.
Conheço pessoas que passaram anos tentando controlar
uma ansiedade que, no fundo, era um luto não vivido.
Outras acreditavam que estavam irritadas, quando, na
verdade, estavam profundamente cansadas de sustentar uma vida que já não fazia
sentido.
Também já encontrei quem dissesse sentir raiva o
tempo todo.
Depois de muita conversa, descobriu que aquilo nunca
foi raiva.
Era medo.
Medo de ser rejeitado novamente.
Percebe como as emoções nem sempre chegam dizendo
quem são?
Algumas entram pela porta da frente.
Outras preferem usar disfarces.
Talvez seja por isso que amadurecer emocionalmente
tenha muito menos relação com controlar sentimentos do que com aprender a
reconhecê-los.
Reconhecer exige tempo.
Exige honestidade.
Exige coragem.
Porque, às vezes, descobrir o verdadeiro nome de uma
emoção significa admitir algo que passamos anos tentando esconder de nós
mesmos.
Há uma diferença enorme entre dizer:
"Estou ansioso."
e dizer:
"Tenho medo."
A primeira frase parece descrever um estado.
A segunda revela uma vulnerabilidade.
E nem sempre estamos preparados para isso.
Talvez por essa razão seja tão comum procurarmos
nomes que nos protejam daquilo que realmente precisamos enxergar.
Mas existe uma boa notícia.
Nenhuma emoção precisa ser combatida antes de ser
compreendida.
Essa talvez seja uma das maiores violências que
cometemos contra nós mesmos.
Queremos eliminar rapidamente aquilo que ainda nem
escutamos.
Imagine uma criança tentando chamar sua atenção.
Você manda que ela fique em silêncio antes mesmo de
perguntar o que aconteceu.
Provavelmente ela continuará insistindo.
As emoções fazem algo parecido.
Enquanto não são reconhecidas, continuam encontrando
novas maneiras de aparecer.
Às vezes no corpo.
Às vezes no sono.
Às vezes nos relacionamentos.
Às vezes naquela sensação estranha de que alguma
coisa está errada, embora você não consiga explicar exatamente o quê.
Talvez o primeiro passo da maturidade emocional não
seja aprender técnicas para controlar o que sentimos.
Talvez seja desenvolver a delicadeza de perguntar,
sem pressa:
"O que você está tentando me mostrar?"
Gosto dessa pergunta porque ela muda completamente a
posição que ocupamos diante da própria vida.
Deixamos de tratar as emoções como inimigas.
Passamos a tratá-las como mensageiras.
Nem toda mensagem será agradável.
Algumas falarão de perdas.
Outras de limites.
Outras de escolhas que precisam ser revistas.
Mas todas carregam alguma informação importante
sobre quem somos e sobre o momento que estamos vivendo.
Talvez seja justamente por isso que dar o nome certo
ao que sentimos seja um gesto de respeito por nós mesmos.
Não porque isso resolva imediatamente nossos
conflitos.
Mas porque nenhuma caminhada pode começar enquanto
ainda estamos olhando para o mapa errado.
E talvez hoje você não precise responder à pergunta
que abriu esta conversa.
Talvez baste levá-la consigo por mais algum tempo.
Você realmente sabe o nome do que está
sentindo?
Ronaldo
Arouca
Mente Madura
Linhares ES 27 de Julho de 2026.
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