As bênçãos que passam em silêncio.
Há uma
estranha habilidade da mente humana.
Ela registra
com facilidade aquilo que ameaça a vida.
Mas quase
nunca percebe aquilo que a sustenta.
Talvez por
isso um único problema consiga ocupar completamente os nossos pensamentos,
enquanto centenas de pequenos presentes atravessam o mesmo dia sem serem
notados.
O ar entra e
sai dos pulmões.
O coração
continua trabalhando sem pedir licença.
Os olhos
reconhecem o rosto de quem amamos.
A água mata
a sede.
O corpo
encontra forças para mais um passo.
Tudo isso
acontece em absoluto silêncio.
E justamente
por acontecer todos os dias, deixamos de chamá-los de milagres.
Passamos a
chamá-los de rotina.
Mas existe
uma pergunta que muda completamente a maneira de olhar para a vida.
Se tudo
aquilo que hoje você considera comum desaparecesse por apenas um dia... quanto
valeria para recuperá-lo amanhã?
Talvez
descubramos, finalmente, que nunca foram coisas comuns.
Foram
bênçãos tão constantes que nossa consciência se acostumou com elas.
Existe uma
ilusão silenciosa que acompanha quase todos nós.
Acreditamos
que a felicidade chegará quando a vida nos entregar algo novo.
Entretanto,
talvez a maior parte da felicidade já esteja presente, esperando apenas ser
percebida.
O
sofrimento costuma anunciar a perda.
As
bênçãos quase nunca anunciam a própria presença.
Elas
simplesmente permanecem ali.
Pacientes.
Discretas.
Esperando
que alguém desperte.
E talvez
maturidade seja exatamente isso.
Descobrir
que a vida sempre foi extraordinária.
Nós é
que, muitas vezes, estávamos distraídos demais para percebê-la.
Ronaldo
Arouca
Reflexões sob o sol de Linhares ES
12 de Julho de 2026

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