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Crônicas do Mente Madura - O dia em que Helena decidiu que o marido deveria ir embora.

  Helena não acordou naquela manhã pensando em se separar. Essa é a parte que quase ninguém entenderia depois. Quando contou às amigas o que havia acontecido, todas perguntaram: — Mas você já não estava pensando nisso há algum tempo? Não. Pelo menos não daquela maneira. Helena estava cansada. Isso, sim. Cansada de fazer contas. Cansada de abrir o aplicativo do banco antes de abrir as mensagens. Cansada de olhar para as despesas e perceber que o mês ainda estava longe de terminar. Cansada de trabalhar mais e continuar sentindo que o dinheiro nunca chegava. Cansada das parcelas. Dos compromissos. Das cobranças. Da sensação de que qualquer imprevisto poderia desmontar tudo. E havia outra coisa que ninguém via. Quando a pressão aumentava, o corpo de Helena mudava. O peito apertava. O estômago embrulhava. Os músculos ficavam rígidos. Ela perdia o sono. Às vezes, acordava no meio da madrugada com a sensação de que alguma coisa terrível estava...

A resposta costuma chegar antes da pergunta!

 


A vida raramente deixa de nos responder.

Talvez sejamos nós que ainda não aprendemos a reconhecer a linguagem com que ela fala.

Passamos anos esperando grandes revelações, como se a verdade precisasse chegar acompanhada de algum acontecimento extraordinário. Como se um dia tudo finalmente fizesse sentido de uma só vez.

Entretanto, a vida parece preferir os caminhos silenciosos.

Ela se revela naquele incômodo que nunca desaparece completamente.

Na paz inesperada que sentimos quando imaginamos uma mudança.

Na lembrança que insiste em voltar.

Na alegria inexplicável que experimentamos em alguns lugares, ao lado de certas pessoas ou diante de determinados sonhos.

São respostas discretas.

Tão discretas que, muitas vezes, aprendemos a chamá-las de coincidência.

Talvez amadurecer tenha menos relação com descobrir novos caminhos e muito mais com reconhecer aqueles pelos quais a vida já vem tentando nos conduzir há muito tempo.

Existe uma sabedoria silenciosa acompanhando cada pessoa.

Ela não disputa a nossa atenção.

Não exige.

Não apressa.

Ela apenas permanece.

Esperando que, um dia, estejamos suficientemente disponíveis para percebê-la.

Talvez seja por isso que algumas respostas pareçam surgir de repente.

Na verdade, elas nunca chegaram naquele instante.

Apenas encontraram alguém finalmente disposto a fazer a pergunta que evitou durante tantos anos.

Há perguntas que não fazemos porque tememos a resposta.

Mas, às vezes, o que realmente nos assusta é descobrir que ela sempre esteve conosco.

Talvez seja essa uma das maiores bênçãos da maturidade.

Perceber que a vida não começou a falar agora.

Ela vem falando desde sempre.

Somos nós que, pouco a pouco, aprendemos a escutá-la.

E talvez exista uma serenidade difícil de explicar quando compreendemos isso.

Porque deixamos de caminhar como quem procura desesperadamente um sentido para a própria história e passamos a caminhar como quem começa, enfim, a reconhecer a beleza, o significado e o valor da história que já construiu.

Talvez a maturidade não seja o momento em que encontramos todas as respostas.

Talvez seja o momento em que finalmente nos tornamos capazes de reconhecer aquelas que a vida guardou, pacientemente, até que estivéssemos prontos para escutá-las.

Ronaldo Arouca

Reflexões sob o sol de Linhares ES
09 de Julho de 2026


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