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Crônicas do Mente Madura - O dia em que Helena decidiu que o marido deveria ir embora.

  Helena não acordou naquela manhã pensando em se separar. Essa é a parte que quase ninguém entenderia depois. Quando contou às amigas o que havia acontecido, todas perguntaram: — Mas você já não estava pensando nisso há algum tempo? Não. Pelo menos não daquela maneira. Helena estava cansada. Isso, sim. Cansada de fazer contas. Cansada de abrir o aplicativo do banco antes de abrir as mensagens. Cansada de olhar para as despesas e perceber que o mês ainda estava longe de terminar. Cansada de trabalhar mais e continuar sentindo que o dinheiro nunca chegava. Cansada das parcelas. Dos compromissos. Das cobranças. Da sensação de que qualquer imprevisto poderia desmontar tudo. E havia outra coisa que ninguém via. Quando a pressão aumentava, o corpo de Helena mudava. O peito apertava. O estômago embrulhava. Os músculos ficavam rígidos. Ela perdia o sono. Às vezes, acordava no meio da madrugada com a sensação de que alguma coisa terrível estava...

O Vão Entre o Impossível e o Milagre: Uma Dança de Fé e Realidade

 



​O vão entre o "Nunca" e o "Agora" 

​Em um mundo que frequentemente nos convida a fixar o olhar no que falta, ressoa uma verdade ancestral, gravada nas pedras do tempo: "O impossível é só o instante que precede o milagre." Esta frase, longe de ser um aforismo otimista ou um exercício de negação, é um portal para a compreensão de que as maiores transformações se gestam, obrigatoriamente, no ventre da adversidade.

​Frequentemente batemos de frente com paredes frias às quais damos o nome de "nunca". No entanto, o impossível não é um veredito; é um estado de maturação. Imagine o grão de trigo sob a terra: para ele, a pressão do solo e a escuridão absoluta parecem o fim do mundo. Mas, para o observador externo, aquilo é apenas o estágio necessário para o rompimento.

​O impossível é a crisálida apertada; o milagre é o bater de asas. O intervalo entre eles é o solo sagrado onde a nossa resiliência é lapidada. É precisamente nesse limiar, quando todas as lógicas se esgotam e a razão se curva diante do desconhecido, que o véu se rasga. O milagre não ignora as leis da natureza; ele é a conclusão de um processo que nossos olhos, cansados de olhar para o relógio, ainda não conseguiram mapear.

​Temos o hábito vicioso de classificar os vales da vida como "ruins", esquecendo que é no vale onde a água corre e a vida brota com mais força. A montanha é bela, mas é fria e árida. Cada fase da nossa existência é um presente embrulhado em desafios específicos:

​A Juventude: Oferece o ímpeto e a bênção de errar para descobrir a própria rota.

​A Maturidade: Traz o peso das responsabilidades, mas a bênção de um filtro que separa o essencial do barulho.

​A Escassez: Provoca o medo, mas revela a bênção de descobrirmos que somos feitos de um material muito mais resistente do que imaginávamos.

​Cada ruga e cada cicatriz conta a história de milagres silenciosos: a semente que rompeu o asfalto, a gota d’água que esculpiu a rocha, a capacidade inata do espírito de se reerguer após cada queda.

​Cultivar uma sabedoria ativa significa reconhecer que a luz não aparece apenas quando o túnel termina. A luz é o que permite que você veja os seus próprios passos enquanto ainda está lá dentro. O milagre não é apenas a resposta que você tanto espera; é a percepção divina de que, mesmo no silêncio e na estagnação aparente, existe um trabalho profundo sendo feito em você.

​O impossível, nesse contexto, não é um ponto final, mas uma vírgula — uma pausa dramática antes da revelação de algo extraordinário. Se hoje as portas parecem trancadas por dentro, respire. Você pode estar exatamente nesse "instante" crucial.

​Que possamos abraçar cada "impossível" com a expectativa de quem aguarda um espetáculo. Que a nossa jornada seja o equilíbrio entre o pé no chão da realidade e o olhar no horizonte da transcendência. No palco da existência, o milagre é a peça principal; o impossível é apenas o seu majestoso prelúdio.

​Observe as pequenas frestas. O milagre não está longe; ele está sendo cozido no calor da sua persistência.

Por: Ronaldo Arouca

Reflexões ao nascer do sol em Balneário Piçarras S.C.

09/02/2026

 


Comentários

  1. A paciência de esperançar vai nos dando respostas que transformam aflição em bálsamo. O 'nunca' e o 'agora' nos dão pistas concretas sobre nossa impermanencia. E só

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